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Síndrome de Frey: por que suo ao comer depois de uma cirurgia na parótida?

Você já ouviu falar em suar ou ficar vermelho no rosto só de comer? Pode parecer estranho, mas esse é um fenômeno real, conhecido como Síndrome de Frey, e pode acontecer em pacientes que passaram por cirurgia na glândula parótida.

Apesar de causar certo desconforto e estranhamento, é uma condição conhecida pela medicina, com explicação clara e opções de tratamento. Entenda a seguir o que é, por que acontece e como lidar com ela.

O que é a Síndrome de Frey?

A Síndrome de Frey, também chamada de sudorese gustativa ou síndrome do nervo auriculotemporal, é uma condição caracterizada por sudorese, calor e vermelhidão (hiperemia) na região da parótida e da bochecha, que surgem durante a mastigação — ou seja, ao comer.

Foi descrita pela primeira vez em 1923 pela neurologista Lucja Frey, que observou o fenômeno em um paciente com lesão na região da parótida. Hoje, é uma sequela bem documentada e conhecida principalmente após cirurgias dessa glândula.

Por que isso acontece?

A explicação está em um processo de “cicatrização cruzada” dos nervos.

A glândula parótida é irrigada por fibras nervosas parassimpáticas, responsáveis por estimular a produção de saliva durante a alimentação. Quando essa região passa por uma cirurgia, esses nervos podem ser lesionados e, durante o processo de cicatrização, se regeneram de forma equivocada, conectando-se às glândulas sudoríparas (responsáveis pelo suor) e aos vasos sanguíneos da pele, em vez de retomarem sua função original.

Resultado: o estímulo que antes provocava salivação passa a provocar suor e vermelhidão na pele da região, sempre que a pessoa começa a comer ou até mesmo pensa em comida com mais intensidade.


Após quais cirurgias pode surgir?


A Síndrome de Frey é uma complicação relativamente comum após:

  • Parotidectomia parcial (remoção de parte da glândula parótida);
  • Parotidectomia total (remoção completa da glândula);
  • Em casos mais raros, após traumatismos ou infecções na região da parótida.

    A incidência varia bastante entre os estudos — de cerca de 2% a 60% dos pacientes operados, dependendo da técnica cirúrgica utilizada e da forma como os sintomas são avaliados (queixa clínica ou teste específico).
Quando os sintomas costumam aparecer?


O tempo de aparecimento é bastante variável. Os sintomas podem surgir:

  • Poucos dias após a cirurgia;
  • Ou somente meses a anos depois do procedimento.

Na maioria dos casos, os sintomas se desenvolvem de forma lenta e progressiva, e podem ser leves — passando despercebidos por muitos pacientes — ou mais perceptíveis, gerando incômodo social.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é, na maioria das vezes, clínico: o próprio relato do paciente sobre suor, calor e vermelhidão na região da parótida durante a mastigação já é bastante característico.

Para confirmar, pode ser utilizado o teste do iodo-amido (teste de Minor), em que uma solução é aplicada na pele da região. Ao começar a comer, as áreas com sudorese gustativa mudam de cor, tornando visível a extensão da área afetada.

 

Existe tratamento?

Sim. As opções variam conforme a intensidade dos sintomas e o impacto na qualidade de vida do paciente:

  • Antitranspirantes tópicos, aplicados na região afetada — costuma ser a primeira linha de tratamento em casos leves;
  • Toxina botulínica, aplicada na pele da região, que bloqueia temporariamente o estímulo que causa a sudorese e costuma trazer bons resultados;
  • Técnicas cirúrgicas preventivas, que podem ser adotadas já durante a cirurgia da parótida, interpondo tecidos (como retalhos musculares) entre a glândula e a pele, reduzindo a chance de a síndrome se desenvolver.

A escolha do tratamento deve ser sempre feita em conjunto com o cirurgião de cabeça e pescoço, considerando o grau de incômodo relatado pelo paciente.

 

Motivo de preocupação?

Não. Apesar de causar estranhamento e, em alguns casos, desconforto social, a Síndrome de Frey 

é uma complicação conhecida, benigna e tratável — não representa risco à saúde. Se você já passou por uma cirurgia na parótida e percebeu esse tipo de sintoma, o mais importante é conversar com o seu cirurgião, que poderá orientar a melhor forma de lidar com a situação.


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Perguntas Frequentes

1. A Síndrome de Frey é grave?

Não. É uma complicação benigna, ou seja, não representa risco à saúde. Pode causar incômodo e constrangimento social, mas tem explicação clara e tratamento disponível.

2. Quanto tempo depois da cirurgia ela pode aparecer?

O tempo varia bastante: pode surgir poucos dias após a cirurgia ou somente meses a anos depois do procedimento, geralmente de forma lenta e progressiva.

3. Existe tratamento definitivo?

Existem opções eficazes, como antitranspirantes tópicos e aplicação de toxina botulínica, além de técnicas cirúrgicas preventivas que podem ser adotadas já durante a cirurgia da parótida. A melhor abordagem deve ser definida com o cirurgião responsável.

4. Toda cirurgia de parótida causa Síndrome de Frey?

  1. Não. A incidência varia bastante entre os estudos, de cerca de 2% a 60% dos casos, dependendo da técnica cirúrgica utilizada e de como os sintomas são avaliados. Muitos pacientes não desenvolvem a síndrome ou apresentam sintomas tão leves que passam despercebidos.

5. Como é feito o diagnóstico da Síndrome de Frey?

O diagnóstico costuma ser clínico, baseado no relato do paciente. Para confirmação, pode ser utilizado o teste do iodo-amido (teste de Minor), que torna visível a área de pele afetada pela sudorese durante a mastigação.

Foto de Dr. Francisco Amorim

Dr. Francisco Amorim

Dr. Francisco Amorim é Doutor pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Mestre pelo Hospital Heliópolis. Ele é Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (TCBC) e atua como médico credenciado nos Hospitais Mater Dei Premium e Israelita Albert Einstein, em Goiânia-GO.
Membro ativo da Sociedade Latino-Americana de Laringologia e Fonocirurgia, Sociedade Latino-Americana da Tireoide, Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).
É diretor técnico do Instituto da Tireoide & Laringe (ITL), além de pesquisador e autor de artigos na área, destacando-se por sua contribuição significativa à ciência médica.

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