Radioablação da tireoide
A radioablação por radiofrequência usa uma agulha-eletrodo, guiada por ultrassom, para aquecer áreas de um nódulo da tireoide. O tecido tratado diminui de volume ao longo dos meses. Pode ser uma opção para nódulos benignos que causam sintomas ou incômodo estético, desde que a avaliação confirme a indicação. Declaração da American Thyroid Association.
O tratamento atua no nódulo e preserva a maior parte da glândula. Isso não garante que o nódulo desapareça, que uma única sessão seja suficiente ou que a função hormonal permaneça normal.
Para quem a radioablação pode ser considerada?
A indicação depende de mais do que o tamanho do nódulo. É preciso estabelecer que ele é benigno e que explica a queixa, como pressão no pescoço, dificuldade para engolir ou alteração visível no contorno da região. Um nódulo benigno sem sintomas relevantes pode precisar apenas de acompanhamento.
A avaliação reúne a ultrassonografia, os resultados da punção e a função da tireoide. Também considera a composição e a localização do nódulo, sua relação com nervos e outras estruturas do pescoço e as alternativas de tratamento. A confirmação de benignidade costuma exigir resultados citológicos (análise das células); a necessidade de repetir a punção depende das características do caso. A radioablação não substitui essa investigação. Critérios de seleção da ATA.
Nódulos indeterminados, suspeitos ou malignos seguem uma avaliação própria. As indicações para nódulos benignos descritas aqui não se aplicam automaticamente a esses diagnósticos nem a lesões que reaparecem após cirurgia.
Entenda a avaliação de nódulos na tireoide.
E quando há excesso de hormônios?
A radioablação pode ser discutida em casos selecionados de nódulo autônomo (que produz hormônios por conta própria). É necessário confirmar que esse nódulo é a origem do hipertireoidismo, e não outra doença da glândula. Segundo a ATA, não há evidência de que a ablação cure hipertireoidismo de outras causas. Seleção de nódulos funcionantes.
O controle hormonal também varia com as características do nódulo. A diretriz da European Thyroid Association destaca que nódulos funcionantes maiores têm menor probabilidade de controle duradouro após ablação. Cirurgia e radioiodoterapia continuam entre as alternativas a discutir; medicamentos não devem ser interrompidos por conta própria. Diretriz europeia de 2020.
Como o procedimento é realizado?
A equipe acompanha a posição da agulha-eletrodo por ultrassom e aplica energia de radiofrequência em pequenas áreas do nódulo, de forma sequencial. O aquecimento provoca a destruição do tecido tratado, que será reduzido gradualmente.
A agulha atravessa a pele até o nódulo. A técnica é minimamente invasiva e evita a incisão de uma cirurgia convencional, mas a punção e os riscos locais continuam existindo.
A anestesia local é utilizada em muitos casos, mas sedação pode ser necessária conforme a tolerância e as condições clínicas. Local de realização, duração, observação e eventual suporte hospitalar precisam ser definidos no planejamento. A possibilidade de tratamento ambulatorial não significa alta imediata ou dispensa de internação em qualquer situação. Técnica, anestesia e critérios de alta da ATA.
Antes do procedimento, informe medicamentos, alergias, problemas de coagulação e dispositivos implantados, como marca-passo. A equipe deve orientar eventuais ajustes de anticoagulantes ou outros remédios junto ao profissional responsável pela prescrição.
O que esperar do resultado e do acompanhamento?
O objetivo é reduzir o volume do nódulo e, quando presentes, os sintomas relacionados a ele. Essa mudança ocorre ao longo dos meses; o resultado não pode ser avaliado apenas pela aparência do pescoço logo após o procedimento.
O seguimento clínico e a ultrassonografia verificam a redução do nódulo, o tecido que permaneceu e sinais de crescimento. Uma resposta incompleta, crescimento posterior ou sintomas persistentes podem levar à discussão de outra sessão ou de cirurgia. O cronograma de retornos deve ser combinado com a equipe. Seguimento e retratamento na declaração da ATA.
A radioablação procura preservar o tecido tireoidiano fora do nódulo, mas ainda pode haver alterações hormonais. Quem trata um nódulo funcionante precisa de controle laboratorial para avaliar a resposta e decidir, com o médico, se os medicamentos podem ser ajustados.
Se o laudo mostrar um nódulo menor, mas o incômodo continuar, relate isso na consulta. A medida do ultrassom, sozinha, não diz se o tratamento resolveu a queixa que levou à radioablação.
Quais riscos precisam ser discutidos?
Dor, inchaço e hematoma podem ocorrer. Entre as complicações estão sangramento, queimadura na pele, lesão de estruturas próximas e alteração da voz, que pode ser temporária ou persistente. Também são possíveis ruptura do nódulo e alterações da função da tireoide. O planejamento e as medidas de proteção reduzem riscos, mas não os eliminam. Segurança da ablação segundo a ATA.
Algum desconforto e inchaço podem aparecer na recuperação. Aumento rápido do pescoço, dificuldade para respirar ou sangramento importante exigem atendimento de urgência. Alteração da voz, dor em piora ou febre devem ser comunicadas prontamente à equipe para avaliação. Em uma emergência, não espere resposta por WhatsApp.
Como a radioablação se compara à cirurgia?
A radioablação reduz o nódulo sem retirar uma peça completa para análise anatomopatológica (exame do tecido removido). Essa diferença ajuda a entender por que a confirmação de benignidade antes da ablação é tão importante.
A cirurgia retira parte ou toda a tireoide e permite examinar o material removido. Pode ser mais adequada quando o diagnóstico, o volume ou a distribuição dos nódulos exige outra abordagem. A decisão compara esse benefício com os riscos, os efeitos hormonais e a recuperação de cada opção. Aconselhamento sobre alternativas na ATA.
Para aprofundar essa escolha, consulte a comparação entre cirurgia e radioablação e a página sobre tireoidectomia total e parcial.
Avaliação no Instituto da Tireoide e Laringe
A radioablação da tireoide integra os procedimentos do Instituto da Tireoide e Laringe, em Goiânia. O Dr. Francisco de Souza Amorim Filho tem CRM-GO 14221 e é especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, RQE nº 6935. Conheça o Dr. Francisco Amorim.
Leve à avaliação os laudos e, quando disponíveis, as imagens de ultrassonografia, os resultados de punção e os exames hormonais já realizados. Eles ajudam a discutir se há indicação de tratar o nódulo e qual opção atende ao objetivo do tratamento.
Para dúvidas sobre o atendimento, fale com a equipe.
Perguntas frequentes
Radioablação e radioiodoterapia são a mesma coisa?
São tratamentos diferentes. A radioablação aplica energia por uma agulha-eletrodo no nódulo. A radioiodoterapia utiliza iodo radioativo e tem indicações próprias, incluindo determinados nódulos funcionantes. A radiofrequência não administra iodo radioativo. Diretriz europeia de ablação.
Tenho vários nódulos. Todos podem ser tratados na mesma sessão?
A presença de vários nódulos muda o planejamento. É necessário identificar quais causam a queixa e avaliar o volume e a distribuição deles. Tratamentos em etapas podem ser considerados, mas a cirurgia pode ser mais adequada para um bócio multinodular (tireoide aumentada com vários nódulos) grande e sintomático. Não há garantia de tratar todos os nódulos em uma única sessão. Seleção e tratamentos em etapas na ATA.
Referências bibliográficas
- Sinclair CF et al. General Principles for the Safe Performance, Training, and Adoption of Ablation Techniques for Benign Thyroid Nodules: An American Thyroid Association Statement. Thyroid. 2023;33(10):1150–1170. Texto integral e DOI 10.1089/thy.2023.0281.
- Papini E, Monpeyssen H, Frasoldati A, Hegedüs L. 2020 European Thyroid Association Clinical Practice Guideline for the Use of Image-Guided Ablation in Benign Thyroid Nodules. European Thyroid Journal. 2020;9(4):172–185. Texto e DOI 10.1159/000508484.
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