Instituto da Tireoide e Laringe

Exoftalmia de Graves: por que os olhos ficam saltados na Doença de Graves?

Você já reparou em alguém com os olhos mais “saltados” ou arregalados do que o normal e se perguntou o motivo? Esse sinal, chamado de exoftalmia, pode ser mais do que uma característica física: em muitos casos, é o primeiro indício visível de uma doença da tireoide.

A condição é conhecida como Exoftalmia de Graves, Orbitopatia de Graves ou Oftalmopatia de Graves, e está diretamente relacionada ao hipertireoidismo causado pela Doença de Graves. Entenda a seguir o que é, por que acontece e por que não deve ser ignorada.

 

O que é a Exoftalmia de Graves?

A Exoftalmia de Graves, também chamada de Orbitopatia de Graves ou Oftalmopatia de Graves, é uma doença inflamatória autoimune que atinge os tecidos ao redor dos olhos — músculos, gordura orbital e pele. Ela está frequentemente associada ao hipertireoidismo, especialmente à Doença de Graves, embora também possa surgir, mais raramente, em pessoas com hipotireoidismo ou até com a função da tireoide normal.

 
Por que isso acontece?

A Doença de Graves é uma condição autoimune em que o sistema imunológico produz anticorpos que estimulam em excesso a glândula tireoide, causando o hipertireoidismo. Esses mesmos anticorpos podem atacar também os músculos e a gordura ao redor dos olhos, provocando inflamação, aumento de volume desses tecidos e, consequentemente, o deslocamento do globo ocular para frente.

 

Quais são os sintomas?

Os sintomas podem se manifestar de forma gradual e variar bastante de intensidade. Entre os mais comuns, estão:


  • Olhos saltados ou arregalados (exoftalmia/proptose);
  • Retração das pálpebras, dando a impressão de “olhos muito abertos”;
  • Inchaço nas pálpebras e ao redor dos olhos;
  • Olhos vermelhos e irritados, parecidos com uma conjuntivite persistente;
  • Sensação de ressecamento, lacrimejamento excessivo e sensibilidade à luz;
  • Sensação de peso ou desconforto atrás dos olhos;
  • Em casos mais avançados: visão dupla (diplopia) e dificuldade para fechar completamente as pálpebras.





Nos casos mais graves, o aumento dos músculos ao redor do olho pode comprimir o nervo óptico, o que representa risco à visão e exige atenção médica prioritária.

O tabagismo é um fator de risco importante

O cigarro é o principal fator de risco ambiental para o desenvolvimento e, principalmente, para o agravamento da Orbitopatia de Graves. Pacientes com Doença de Graves que fumam têm um risco muito maior de desenvolver a exoftalmia, e a doença ocular tende a ser mais severa e mais resistente ao tratamento. Parar de fumar é uma das medidas mais importantes que o paciente pode tomar para ajudar a controlar a doença.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico envolve uma avaliação conjunta da tireoide e dos olhos:

  • Exames de sangue para avaliar a função da tireoide (TSH, T4 livre e o anticorpo TRAb);
  • Avaliação oftalmológica completa, incluindo a medição do grau de protrusão ocular com um instrumento chamado exoftalmômetro;
  • Exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética das órbitas, quando necessário, para avaliar os músculos e os tecidos ao redor do olho.

Como é feito o tratamento?

O tratamento da Orbitopatia de Graves exige acompanhamento multidisciplinar, envolvendo principalmente o endocrinologista (responsável por controlar o hipertireoidismo e os hormônios da tireoide) e o oftalmologista (responsável por avaliar e tratar a inflamação e as alterações oculares). 

Em casos mais específicos, um cirurgião de cabeça e pescoço também pode ser envolvido, especialmente quando há necessidade de tratamento cirúrgico da própria tireoide.

As opções de tratamento variam conforme a gravidade do quadro e podem incluir:

  • Controle do hipertireoidismo com medicamentos específicos para a tireoide;
  • Lubrificantes oculares, colírios e géis para alívio dos sintomas de ressecamento;
  • Corticoides e, em alguns casos, imunossupressores, para reduzir a inflamação;
  • Em casos moderados a graves: radioterapia orbitária ou cirurgia, incluindo procedimentos de descompressão orbitária, correção de estrabismo ou da retração palpebral.

A grande maioria dos casos é tratada de forma clínica; a cirurgia costuma ser reservada para os quadros mais graves ou para a fase de reabilitação, após o controle da inflamação.

 

Por que o diagnóstico precoce é tão importante?

A Exoftalmia de Graves muitas vezes é o primeiro sinal visível de que algo não vai bem com a tireoide — antes mesmo de a pessoa perceber outros sintomas do hipertireoidismo, como perda de peso, palpitações, ansiedade ou tremores. Por isso, esse sinal ocular não deve ser ignorado: ele pode ser a porta de entrada para o diagnóstico e tratamento precoce da Doença de Graves.

Quanto antes a doença de base for identificada e tratada, maiores as chances de evitar a progressão da orbitopatia e de preservar a saúde ocular.

Percebeu alterações nos seus olhos e suspeita de uma possível relação com a tireoide? Agende uma avaliação especializada e investigue a causa com quem entende do assunto.

Perguntas Frequentes

1. Toda pessoa com Doença de Graves desenvolve exoftalmia?

Não. A Orbitopatia de Graves pode variar bastante de intensidade entre os pacientes, desde formas leves com alterações estéticas discretas até formas mais graves. Nem todo paciente com Doença de Graves desenvolve o quadro ocular, e a gravidade não depende apenas do hipertireoidismo em si.

2. A exoftalmia pode aparecer antes do diagnóstico de hipertireoidismo?

Sim. Em muitos casos, as alterações nos olhos são o primeiro sinal perceptível, podendo aparecer antes de outros sintomas do hipertireoidismo. Por isso, esse sinal costuma ser um importante ponto de partida para o diagnóstico da Doença de Graves.

3. Fumar piora a exoftalmia?

Sim. O tabagismo é o principal fator de risco ambiental para o desenvolvimento e, principalmente, para o agravamento da Orbitopatia de Graves. Parar de fumar é uma das medidas mais importantes para ajudar a controlar a doença.

4. A exoftalmia de Graves tem cura?

O tratamento não reverte instantaneamente o formato dos olhos, mas o controle adequado da Doença de Graves e da inflamação orbitária pode estabilizar e, em muitos casos, melhorar significativamente o quadro. Em situações mais específicas, cirurgias de correção estética e funcional podem ser realizadas após o controle da doença.

5. Quais médicos tratam a Exoftalmia de Graves?

O tratamento é multidisciplinar, envolvendo principalmente o endocrinologista (controle do hipertireoidismo) e o oftalmologista (avaliação e tratamento dos olhos). O cirurgião de cabeça e pescoço também pode participar do cuidado, especialmente quando há indicação de tratamento cirúrgico da tireoide.

Foto de Dr. Francisco Amorim

Dr. Francisco Amorim

Dr. Francisco Amorim é Doutor pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Mestre pelo Hospital Heliópolis. Ele é Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (TCBC) e atua como médico credenciado nos Hospitais Mater Dei Premium e Israelita Albert Einstein, em Goiânia-GO.
Membro ativo da Sociedade Latino-Americana de Laringologia e Fonocirurgia, Sociedade Latino-Americana da Tireoide, Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).
É diretor técnico do Instituto da Tireoide & Laringe (ITL), além de pesquisador e autor de artigos na área, destacando-se por sua contribuição significativa à ciência médica.

CONHEÇA MAIS SOBRE O AUTOR