Você sente falta de ar e não melhora com tratamento para asma?

Esta situação pode não ser asma e ser algo extremamente grave, podemos estar diante de uma estenose laringotraqueal .
A estenose laringotraqueal é uma condição em que ocorre um estreitamento anormal da laringe e/ou da traqueia, dificultando a passagem do ar até os pulmões. Em termos simples, é como se o “cano” por onde o ar passa ficasse mais fino, e quanto mais estreito, maior o esforço para respirar. Essa doença pode afetar profundamente a qualidade de vida, trazendo sofrimento físico e emocional significativo.
O que acontece no corpo?
A laringe (onde ficam as cordas vocais) e a traqueia (o tubo que leva o ar aos pulmões) formam a via aérea superior. Quando há uma agressão, como: inflamação, trauma, infecção ou pressão prolongada, o organismo pode cicatrizar de forma exagerada, formando tecido fibroso (cicatriz) que reduz o diâmetro da via aérea. Mesmo uma pequena redução no calibre da traqueia pode causar grande dificuldade respiratória, principalmente ao esforço.
Como é viver com estenose laringotraqueal?

Pessoas com essa enfermidade frequentemente relatam:
- sensação constante de falta de ar;
- medo de se exercitar ou até de falar por muito tempo;
- ansiedade relacionada à respiração;
- cansaço extremo em atividades simples;
- limitação social (evitam sair por receio de crises).
Muitos pacientes passam meses sendo tratados como se tivessem asma ou bronquite, o que gera frustração e atraso no diagnóstico. A dificuldade respiratória progressiva pode levar a crises graves, internações e, em casos severos, necessidade de traqueostomia. Além do impacto físico, há sofrimento emocional: medo de sufocar, insegurança, alterações na voz e prejuízo profissional.
Principais sintomas
Os sintomas variam conforme o grau de estreitamento, mas os mais comuns são:
- falta de ar progressiva, especialmente aos esforços;
- estridor (chiado agudo ao respirar, principalmente ao inspirar);
- voz rouca ou enfraquecida;
- tosse persistente;
- sensação de aperto na garganta;
- cansaço fácil.
Em casos avançados:
- dificuldade para respirar mesmo em repouso;
- episódios de sufocamento.
Quais são as principais causas?
A estenose pode ter várias origens. Entre as mais frequentes:
- Intubação prolongada: a causa mais comum. Pacientes que precisaram de tubo na traqueia por longos períodos (como em UTI) podem desenvolver lesão e cicatrização excessiva.
- Traqueostomia prévia: pode ocorrer estreitamento no local da cânula.
- Doenças inflamatórias e autoimunes: como a Granulomatose com Poliangiite (antiga Granulomatose de Weneger).
- Refluxo gastroesofágico grave: o ácido pode irritar e inflamar a laringe.
- Trauma cervical: acidentes ou cirurgias prévias na região do pescoço.
- Estenose idiopática: quando não se identifica causa clara — mais comum em mulheres adultas.
Entenda melhor no vídeo a seguir com o Dr. Francisco Amorim, cirurgião de cabeça e pescoço:
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico costuma envolver:
- avaliação clínica detalhada;
- endoscopia da laringe;
- Broncoscopia;
- tomografia do pescoço e tórax.
O exame endoscópico é fundamental para visualizar diretamente o grau e o tipo de estreitamento.
Tratamentos disponíveis na medicina atual
O tratamento depende da gravidade, extensão e causa da estenose.
Tratamentos Endoscópicos (menos invasivos)
Indicados em casos leves a moderados, como:
- dilatação com balão;
- ressecção de tecido cicatricial a laser;
- aplicação de corticoides no local;
- uso de Mitomicina C (para reduzir recidiva).
Podem precisar ser repetidos ao longo do tempo.
Cirurgia aberta (reconstrução da via aérea)
Indicada em casos mais graves ou recorrentes, como:
- ressecção do segmento estreitado com reconstrução da traqueia;
- laringotraqueoplastia com enxertos.
Essas cirurgias têm altas taxas de sucesso quando realizadas por equipes experientes.
Traqueostomia
Em situações de urgência ou quando não há possibilidade imediata de correção definitiva. Pode ser temporária ou, em alguns casos, prolongada.
Se você ou alguém próximo apresenta falta de ar progressiva sem melhora com o tratamento que foi realizado para asma, é fundamental procurar avaliação com um médico especialista em via aérea (otorrinolaringologista ou cirurgião de cabeça e pescoço com experiência em estenose laringotraqueal). Respirar é algo automático, até deixar de ser fácil.
O Instituto da Tireoide e Laringe possui médicos especialistas altamente qualificados e dispõe de técnicas avançadas e eficazes no tratamento desta enfermidade, capazes de devolver a qualidade de vida dos pacientes que apresentam estenose laringotraqueal.
Perguntas Frequentes (FAQ)
- O que é estenose laringotraqueal?
É um estreitamento anormal da laringe (cordas vocais) ou da traqueia (tubo respiratório), que dificulta a passagem do ar e causa falta de ar progressiva.
- Falta de ar que não melhora com remédio de asma pode ser estenose?
Sim. A estenose é frequentemente confundida com asma porque os sintomas são parecidos. Se o tratamento para asma não funciona, é crucial investigar.
- Qual a principal causa da estenose laringotraqueal?
A causa mais comum é a cicatrização excessiva após uma intubação prolongada (pacientes que ficaram em UTI), mas também pode ocorrer por traqueostomia, traumas ou doenças autoimunes.
- Quais são os sintomas mais comuns da estenose?
Os principais são falta de ar que piora com o esforço, chiado agudo ao inspirar (estridor), tosse persistente e alterações na voz, como rouquidão.
- Estenose laringotraqueal tem cura?
Sim, existem tratamentos com altas taxas de sucesso. As opções incluem procedimentos endoscópicos (dilatação, laser) para casos leves e cirurgias de reconstrução para casos mais graves, que podem curar a condição.
- Qual médico trata a estenose laringotraqueal?
O especialista indicado é o médico otorrinolaringologista ou o cirurgião de cabeça e pescoço com experiência no tratamento de doenças da via aérea.


