Procedimento endoscópico das glândulas salivares, é possível? Quando realizá-lo?
A tecnologia no campo da medicina avança a cada dia para benefício dos nossos pacientes.
Quem poderia imaginar que pudéssemos tratar certas doenças das glândulas salivares utilizando apenas instrumentos muito delicados, de fina espessura, capazes de penetrar nos pequenos ductos (canais por onde escoam a saliva) destas glândulas, semelhante a uma endoscopia?
É sobre isso que falaremos a seguir. Continue a leitura para entender mais!
A evolução da sialoendoscopia

O aprimoramento da sialoendoscopia trouxe uma mudança no modelo de tratamento das enfermidades das glândulas salivares.
Nos últimos 15 anos, o padrão-ouro no tratamento das Doenças Inflamatórias da Glândula Salivar passou da ressecção cirúrgica aberta para o tratamento endoscópico com as grandes vantagens:
- Evitar complicações da cirurgia nas glândulas parótida e submandibular (por exemplo, grandes cicatrizes e lesões ao nervo facial com sua posterior paralisia permanente).
- Benefício de preservar o órgão e sua função salivar.
Essa técnica minimamente invasiva foi descrita pela primeira vez por Katz e Fritsch na década de 1990, que usavam endoscópio flexível para avaliação dos ductos das glândulas salivares.
Desde então, a resolução óptica aprimorada e a miniaturização de instrumentos através de vários avanços tecnológicos resultaram em técnicas cada vez mais avançadas da sialoendoscopia.
Qualidade da imagem e alcance diagnóstico
Apesar da pequena espessura dos minis endoscópios e sua composição de fibra ótica, o sialoendoscópio possui alta qualidade de imagem com boa visualização dos ductos salivares, oferecem cobertura diagnóstica e cirúrgica para atender adultos e crianças.
Quando a sialoendoscopia é indicada?
A sialoendoscopia é um tratamento minimamente invasivo das glândulas salivares.
Foi realizada pela primeira vez para o tratamento de cálculos (sialolitíase) e rapidamente ganhou espaço no diagnóstico e tratamento de outras patologias, como sialoadenites (inflamação das glândulas salivares), estenoses (estreitamento do ducto excretor da saliva), obstrução por placas e pólipos.
Corpos estranhos, pacientes que apresentam boca seca após terem sido submetidos ao tratamento com radioiodo, síndrome de Sjögren, sialoadenite recidivante juvenil, entre outras anormalidades, também podem ser avaliados e tratados, condições que comprometem significativamente a qualidade de vida desses pacientes.
A sialoendoscopia só serve para diagnóstico?
Não. A sialoendoscopia pode ser usada tanto para fins diagnósticos quanto terapêuticos e, muitas vezes, pode ser feita em uma única sessão, o que ajuda a reduzir significativamente a morbidade, a perda de horas de trabalho e a permanência no hospital.
Confira no vídeo a seguir com o Dr. Francisco Amorim, cirurgião de cabeça, um pouco mais sobre tratamentos para as glândulas salivares:
É um procedimento invasivo?
Embora também seja um procedimento invasivo, a morbidade associada à sialoendoscopia é geralmente menor (principalmente quando comparada com a cirurgia convencional) e na maioria das vezes, temporária.
Estudos apontam que aproximadamente 1.2% da população tem cálculos nas glândulas salivares e que mais de 69% dos pacientes que são tratados de câncer de tireoide com terapia com radioiodo apresentam problemas nas glândulas salivares, incluindo inflamações e fibroses.
A causa da inflamação: o problema está no ducto
Quando lidamos com a inflamação das glândulas salivares devido à patologia obstrutiva no ducto (como cálculo ou estenose por radioiodo), precisamos entender que a causa está no ducto e os sintomas se devem à estase da saliva e infecção secundária.
A sialoendoscopia aborda a patologia do ducto levando à resolução da patologia desta glândula. Essa abordagem voltada para o duto e não para glândula é a principal característica dessa intervenção. Isso é semelhante a certos casos de sinusite em que os sintomas são secundários à obstrução anatômica ou patológica no nível do complexo osteomeatal.
Como é feita a remoção dos cálculos?

Na sialolitíase motivada por cálculos pequenos (Fig 1), os cálculos podem ser removidas através do próprio sialoendoscópio com canal de trabalho, utilizando um acessório denominado Basket (extrator de pedras), que faz parte dos instrumentais que devem estar presentes nessa técnica (Fig 2).
A sialoendoscopia substitui a cirurgia tradicional?
Sim, em grande parte dos casos. Ela é hoje o padrão ouro para doenças obstrutivas das glândulas salivares, evitando cirurgias abertas.
O procedimento é doloroso?
Geralmente não. A sialoendoscopia é minimamente invasiva e apresenta baixa morbidade, com desconfortos leves e temporários.
Quais doenças podem ser tratadas com sialoendoscopia?
Cálculos salivares, estenoses, inflamações, pólipos, obstruções, alterações pós-radioiodo e outras patologias ductais.
Crianças também podem realizar?
Sim. A técnica é segura para adultos e crianças, graças à miniaturização dos endoscópios.
Cálculos grandes podem ser tratados?
Sim. Cálculos pequenos são retirados com Basket, e cálculos maiores podem ser fragmentados com laser.
É possível diagnosticar e tratar na mesma sessão?
Frequentemente, sim. Isso reduz o tempo de internação e facilita a recuperação do paciente.


