Paratireoidectomia
Paratireoidectomia é a cirurgia que retira uma ou mais glândulas paratireoides, geralmente para tratar hiperparatireoidismo (produção excessiva de PTH). A operação pode se limitar a uma glândula ou envolver várias, conforme a doença e a avaliação antes da cirurgia.
As paratireoides ficam geralmente atrás da tireoide e produzem o PTH, hormônio que regula o cálcio. São glândulas diferentes da tireoide; operá-las não significa retirar a tireoide. Mayo Clinic
Quando a cirurgia pode ser indicada?
No hiperparatireoidismo primário, uma ou mais glândulas produzem PTH de forma autônoma. Cálculos renais, fraturas, osteoporose e comprometimento renal pesam na indicação. Mesmo sem sintomas, idade e exames podem preencher critérios cirúrgicos. A decisão considera riscos, preferências e contraindicações. Quando a cirurgia é adiada, acompanhamento e tratamento clínico podem ser opções. Quinto Workshop Internacional
No hiperparatireoidismo secundário à doença renal crônica, o aumento do PTH responde a alterações do metabolismo mineral. Ter doença renal, cálcio ou fósforo alterados não define, por si só, indicação cirúrgica. A KDIGO sugere paratireoidectomia para hiperparatireoidismo grave sem resposta ao tratamento clínico. A avaliação considera a evolução dos exames, e não apenas um resultado. KDIGO
Se você tem doença renal e recebeu indicação de cirurgia, peça à equipe que mostre a evolução do PTH junto com cálcio e fósforo. Pergunte quais tratamentos já foram usados e o que indica que eles não controlaram o hiperparatireoidismo.
O hiperparatireoidismo terciário ocorre quando as glândulas passam a funcionar de forma autônoma depois de um período de hiperparatireoidismo secundário. O contexto de diálise ou transplante renal influencia o planejamento. Revisão da literatura
Os exames de imagem confirmam a doença?
O diagnóstico depende da interpretação conjunta dos exames de sangue. No primário, o PTH está elevado ou não cai como esperado diante de cálcio alto. Avaliam-se também vitamina D, fósforo e função renal. Cálcio na urina e densitometria (medida da densidade dos ossos) ajudam a avaliar repercussões e outras causas das alterações. Quinto Workshop Internacional
Ultrassonografia, cintilografia e outros exames de imagem localizam glândulas para planejar a operação. Primeiro se confirma a doença; as imagens ajudam a encontrar o tecido a ser operado. Uma imagem que não localiza a glândula não elimina automaticamente a possibilidade de cirurgia. Biópsia de paratireoide antes da operação deve ser evitada na investigação habitual. Diretriz AAES
É preciso retirar todas as paratireoides?
Quando há evidência de uma única glândula alterada, pode ser possível uma cirurgia focada. A exploração bilateral permite examinar os dois lados do pescoço e é uma opção quando há suspeita de doença em várias glândulas. A dosagem de PTH durante a operação pode auxiliar a avaliação da resposta conforme a abordagem adotada. Diretriz AAES
Na doença renal com várias glândulas comprometidas, as opções incluem:
- Subtotal: preserva uma pequena parte de tecido paratireoidiano.
- Total com autoimplante: remove as glândulas e implanta parte do tecido do próprio paciente em outra região, como o antebraço.
- Total sem autoimplante: retira todas as glândulas identificadas sem transplantar tecido; exige atenção ao risco de falta persistente de PTH.
A escolha equilibra risco de recorrência e de hipoparatireoidismo (produção insuficiente de PTH). Não há uma técnica única adequada a todos os pacientes. Revisão da literatura
Como se preparar e quais são os riscos?
A equipe revisa condições clínicas, exames, medicamentos e anestesia. Peça instruções sobre jejum, uso dos remédios e retorno para casa; não suspenda medicamentos por conta própria.
Os riscos incluem sangramento e hematoma (acúmulo de sangue no pescoço), infecção, alteração temporária ou permanente da voz e queda do cálcio, que pode exigir reposição prolongada. Mayo Clinic
Também pode ocorrer síndrome do osso faminto: após a cirurgia, os ossos absorvem cálcio e reduzem sua concentração no sangue. Isso requer monitorização e tratamento. Orientações SIUEC
O que acompanhar depois da cirurgia?
A equipe acompanha cálcio, ferida e voz. Formigamento nos lábios ou nas mãos, câimbras e espasmos podem indicar hipocalcemia (cálcio baixo no sangue). Avise o serviço responsável e siga a prescrição de cálcio e vitamina D, quando houver.
Aumento rápido do pescoço, sangramento importante ou dificuldade para respirar exigem atendimento de urgência. Espasmos intensos ou convulsões também precisam de avaliação imediata. Não aguarde retorno de mensagem nesses casos. Orientações SIUEC
O seguimento avalia a resposta ao tratamento e identifica doença persistente ou recorrente; a melhora inicial não encerra o acompanhamento. Diretriz AAES
No hiperparatireoidismo primário, benefícios cardiovasculares e melhora da qualidade de vida permanecem incertos. Quinto Workshop Internacional
Avaliação no Instituto da Tireoide e Laringe
O ITL atende em Goiânia. O Dr. Francisco de Souza Amorim Filho, CRM-GO 14221, é especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, RQE 6935. Conheça sua formação e atuação.
Leve à consulta os exames de cálcio e PTH, imagens já realizadas, lista de medicamentos e histórico de cálculos, fraturas, doença renal ou cirurgia anterior. Em quem tem doença renal, o planejamento precisa considerar o acompanhamento com a nefrologia.
Veja como funciona o atendimento e entre em contato para agendar a avaliação. Para conhecer o campo de atuação, consulte a página de Cirurgia de Cabeça e Pescoço.
Perguntas frequentes
PTH alto com cálcio normal exige cirurgia?
PTH alto com cálcio normal pode ter causas secundárias. Após excluí-las, pode-se considerar a forma primária normocalcêmica, cuja indicação cirúrgica tem evidência limitada. Quinto Workshop Internacional
O autoimplante vem de um doador?
O tecido é do próprio paciente. O autoimplante busca preservar produção de PTH, mas seu funcionamento e o risco de recorrência precisam de acompanhamento. Revisão da literatura
Quando posso voltar ao trabalho?
A data depende da recuperação, do tipo de operação e do esforço exigido no trabalho. Peça à equipe uma orientação para suas atividades antes da alta. Mayo Clinic
Referências bibliográficas
- Bilezikian JP et al. Evaluation and Management of Primary Hyperparathyroidism: Summary Statement and Guidelines from the Fifth International Workshop. Journal of Bone and Mineral Research. 2022;37(11):2293–2314.
- Wilhelm SM et al. The American Association of Endocrine Surgeons Guidelines for Definitive Management of Primary Hyperparathyroidism. JAMA Surgery. 2016;151(10):959–968.
- KDIGO. 2017 Clinical Practice Guideline Update for CKD-Mineral and Bone Disorder. Kidney International Supplements. 2017;7:1–59. Recomendações 4.2.1 e 4.2.5.
- Magnabosco FF, Tavares MR, Montenegro FLM. Tratamento cirúrgico do hiperparatireoidismo secundário: revisão sistematizada da literatura. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia. 2014;58(5):562–571.
- SIUEC. Management of surgical diseases of Primary Hyperparathyroidism: indications of the United Italian Society of Endocrine Surgery. 2024.
- Mayo Clinic. Parathyroidectomy. Atualizado em 6 de junho de 2026.
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