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Laringe

Microcirurgia de laringe versus cirurgia aberta

Entenda as diferenças entre microcirurgia de laringe e cirurgia aberta, os critérios de escolha, os riscos e o papel do laser.

5 min de leitura

É natural associar uma cirurgia sem corte no pescoço a uma opção melhor. Na laringe, porém, microcirurgia transoral (pela boca) e cirurgia aberta (pelo pescoço) são acessos diferentes. A escolha depende do diagnóstico, da localização e extensão da lesão e da possibilidade de tratá-la com segurança pelo acesso escolhido. Em casos de câncer, a função da laringe e o estágio da doença também orientam essa decisão. [1]

O que é microcirurgia de laringe?

Na microcirurgia, o cirurgião chega à laringe pela boca com um laringoscópio. Um microscópio amplia a visualização. O procedimento é feito sob anestesia geral e pode permitir examinar uma lesão, coletar biópsia (amostra para análise) ou realizar seu tratamento, sem incisão externa no pescoço. [2]

Podem ser usados instrumentos frios, como pequenas tesouras, ou laser. O laser é uma ferramenta: não é necessário em toda microcirurgia. Lesões benignas selecionadas, como pólipos e cistos das pregas vocais, podem ser tratadas por essas técnicas. [3]

Para os detalhes do procedimento, consulte a página de microcirurgia a laser da laringe.

O que significa cirurgia aberta da laringe?

Cirurgia aberta é o nome dado aos procedimentos feitos por acesso no pescoço. Ela não se limita à retirada completa da laringe nem é, por definição, menos precisa. Entre as operações estão laringectomias parciais, que removem parte do órgão, e a laringectomia total. A extensão necessária depende da doença e das estruturas comprometidas. [1, 4]

A laringectomia total separa definitivamente a respiração da boca e do nariz e cria um estoma (abertura respiratória) permanente no pescoço. Isso não ocorre em toda cirurgia aberta. Após a retirada total, existem formas de reabilitação da comunicação, como a prótese de voz, conforme avaliação da equipe. [5]

Como a abordagem é decidida?

Uma biópsia, uma lesão benigna que altera a voz e um câncer precisam de planejamentos diferentes. Avaliar a lesão é o primeiro passo; escolher o instrumento vem depois. [1–3]

Em câncer, tamanho não é o único critério. Localização, profundidade e extensão, junto da condição clínica, ajudam a definir se a lesão pode ser retirada por via transoral ou se outro tratamento é indicado. Radioterapia e quimiorradioterapia também podem fazer parte das opções, conforme o caso. O objetivo inclui controle da doença e avaliação das consequências para voz, respiração e deglutição (ato de engolir). [1]

Pergunte quanto tecido precisará ser retirado e como isso pode afetar sua voz. Uma cirurgia pela boca também pode mudar a voz, mesmo sem deixar cicatriz no pescoço.

Preservar tecido não garante preservar a voz. Mesmo após cirurgia pela boca com laser, a voz pode ficar rouca ou menos potente, e o tratamento pode exigir mais de um procedimento. Essas possibilidades precisam entrar na conversa antes da operação. [6]

Laser ou instrumentos frios?

O laser aplica energia ao tecido; instrumentos frios realizam o corte mecanicamente. Ambos exigem cuidado para limitar lesões nos tecidos que precisam ser preservados. A escolha considera o tipo de lesão e o objetivo da cirurgia. [3]

No estudo de Kumar e colaboradores, publicado em 2019, pacientes com lesões benignas das pregas vocais foram distribuídos entre cirurgia com instrumentos frios e laser de CO₂. Os dois grupos melhoraram, sem diferença significativa entre eles nos resultados vocais avaliados. O estudo foi pequeno e acompanhou resultados por poucos meses: não demonstra equivalência para toda doença da laringe, nem compara o acesso pela boca com a cirurgia aberta. [3]

Assim, comparar laser e instrumentos frios responde a uma pergunta diferente de comparar os acessos transoral e cervical. Nenhum desses nomes, sozinho, define a melhor opção para uma pessoa.

Quais são os riscos e o que muda na recuperação?

Não ter corte no pescoço não significa ausência de risco. Na microcirurgia transoral, podem ocorrer lesões em dentes, lábios ou gengivas, dor, sangramento, dificuldade para engolir e alteração temporária ou permanente da voz. O inchaço da laringe pode dificultar a respiração. Dificuldade importante para respirar após a cirurgia exige atendimento imediato em serviço de urgência. [2]

Após cirurgia transoral a laser, alta no mesmo dia pode ser possível, mas não é garantida. Repouso vocal e acompanhamento fonoaudiológico podem ser indicados; o prazo e a necessidade dependem do que foi feito. [6]

Nas cirurgias com retirada de parte ou de toda a laringe, a recuperação pode ser prolongada e exigir apoio para comunicação e alimentação. Antes da operação, peça que a equipe explique quais mudanças são esperadas no procedimento proposto. [4]

O que levar para a conversa com o cirurgião?

Leve os exames já realizados e anote as dúvidas que deseja esclarecer:

  • Qual é o objetivo da cirurgia: investigar a lesão ou tratá-la?
  • Quanto tecido precisará ser retirado?
  • Quais alternativas se aplicam ao meu diagnóstico?
  • O que pode mudar na minha voz, na alimentação e na respiração?
  • Que acompanhamento será necessário depois?

O Instituto da Tireoide e Laringe atende em Goiânia. O Dr. Francisco de Souza Amorim Filho, CRM-GO 14221, é especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, RQE 6935.

Para solicitar uma consulta, entre em contato com a equipe. Outros textos educativos estão no Destaques do Instituto.

Perguntas frequentes

Uma biópsia feita por microcirurgia já encerra o tratamento?

Nem sempre. A amostra retirada é analisada em laboratório, e o resultado pode indicar necessidade de acompanhamento ou de outro tratamento. Confirme quando receberá o laudo e como será discutido o próximo passo. [2]

Depois de uma laringectomia total, ainda é possível se comunicar por voz?

Há métodos de reabilitação, como a prótese de voz, a voz esofágica e a laringe eletrônica. Eles produzem a comunicação por mecanismos diferentes da voz laríngea original e exigem avaliação e orientação específicas. O método adequado depende das condições de cada pessoa. [5]

Referências bibliográficas

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