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Tireoide, uma glândula em forma de escudo.

A palavra tireoide tem origem grega, uma aglutinação dos termos thyreós (escudo) e oidés (forma de). O nome veio do fato da glândula ter uma forma semelhante à dos escudos que os guerreiros gregos utilizavam. Esta glândula está localizada no pescoço na sua porção anterior, logo abaixo da cartilagem laríngea que leva o seu nome. Durante séculos foi motivo de preocupação e desafios aos médicos que se arriscavam em tratar e conhecer a fisiopatologia desta emblemática glândula. Figuras da antiguidade como Tutancâmon, Vênus, Cleópatra eram representados em detalhes com volumoso bócio revelando que a disfunção desta glândula já ocorria há vários séculos atrás. Leonardo Da Vinci, além de grande cientista, matemático, inventor, pintor, escultor era um grande anatomista e foi quem primeiro desenhou a glândula tireóidea, revelando a humanidade sua forma anatômica.

Uma outra curiosidade bastante interessante que envolvia esta misteriosa glândula do pescoço era que os médicos da antiguidade tinham uma certa noção da existência de uma relação entre a glândula tireóidea e os órgãos genitais femininos. Sabia-se que durante a menstruação ou gravidez, ou mesmo no ato do defloramento, se produzia um crescimento no pescoço. Os romanos mediam com um fio o perímetro do pescoço da noiva, antes e depois da noite de núpcias, para verificar a sua virgindade. Costume que se manteve até o começo da Idade Média.

Realizar um tratamento cirúrgico na Tireoide em séculos passados só era aceitável em situações de risco de vida, uma vez que apresentava um alto índice de mortalidade, neste tipo de procedimento, algo em torno de  40%. Séculos se passaram para que os cientistas e médicos pudessem conhecer a real importância desta glândula, bem como a  sua fisiopatologia, anatomia e o seu  tratamento adequado. Em 1909 Kocher recebeu o prêmio Nobel de medicina, por suas realizações em matéria de fisiologia, patologia e cirurgia da glândula tireóidea. Ele conseguiu diminuir drasticamente o índice de mortalidade e as taxas de morbidade com sua nova técnica desenvolvida especialmente para esta glândula. Desta forma a cirurgia tornou-se uma opção terapêutica eficaz para doenças da tireoide, tanto benignas como malignas. Mais de 100 anos depois deste feito, a cirurgia ainda é o tratamento atual de escolha para muitas doenças da tireoide.

Dentre os diversos problemas que podem surgir na tireoide, o aparecimento de nódulos é um dos mais comuns. Os nódulos na tireoide são lesões arredondas que surgem no tecido desta glândula, quase sempre são imperceptíveis e não palpáveis, podendo ser causadas por várias condições patológicas. A enorme maioria dos nódulos na tireoide não ameaça a saúde, pois 90% destes nódulos são de natureza benigna. Estes nódulos são mais comuns do que se imagina e a sua incidência varia de acordo com o método de avaliação. Alguns estudos mostram uma prevalência de nódulos na tireoide de 30% a 50% na população adulta, revelada pelos modernos aparelhos de ultrassonografia. Graças a precisão destes aparelhos, nos últimos anos, houve um grande aumento do número de nódulos malignos detectados em uma fase inicial e tratados precocemente. Os nódulos solitários da glândula tireóidea são quatro vezes mais comuns em mulheres do que em homens e sua incidência aumenta com o avançar da idade. Felizmente , já se foram os tempo que receber um diagnóstico de câncer em qualquer órgão significava praticamente o fim da vida. Atualmente a moderna medicina consegue tratar boa parte dos tumores, principalmente quando se tem um diagnóstico precoce. Em relação a tireoide o índice de sucesso é quase garantido. Entre os canceres de cabeça e pescoço o de tireoide é muito comum e tem índice de cura bem elevado, isto significa que a maioria dos pacientes portadores deste tipo de câncer (papilífero), quando tratados precocemente e adequadamente, não morre em função da doença.

Segundo o Instituto nacional do Câncer –INCA, o número de casos novos de câncer de tireoide estimados para o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 1.830 casos novos em homens e de 11.950 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 1,72 casos novos a cada 100 mil homens e 11,15 para cada 100 mil mulheres. História de irradiação do pescoço, radioterapia em baixas doses (principalmente na infância), história familiar de câncer de tireoide e dieta pobre em iodo são principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de Tireoide. Outros fatores de risco para desenvolver enfermidade na tireoide são : obesidade, tabagismo, exposições hormonais e poluentes ambientais.

Hoje com o advento da tecnologia o tratamento cirúrgico da glândula  tireoide traz algumas técnicas menos invasiva e tão eficaz quanto a cirurgia convencional. Como é o caso  da Radioablação da Tireoide, aonde o cirurgião utiliza um instrumental  semelhante a uma agulha, com a tecnologia da radiofrequência, para cauterizar e destruir o nódulo na tireoide, neste tipo de procedimento  a anestesia é local e a  internação hospitalar é mínima. Em situações em que a cicatriz visível no pescoço é o grande empecilho que o paciente considera para submeter-se à um procedimento cirúrgico, pode-se optar pela Tireoidectomia Transoral, em que o cirurgião faz uma incisão na parte interna do lábio do paciente e deste acesso consegue-se visualizar através de videoendoscopia toda a glândula tireóidea. Este tipo de procedimento é utilizado tanto para doenças benignas como doenças malignas da tireoide, trazendo como grande vantagem técnica: a magnificação das estruturas anatômicas do pescoço (melhor visualização das estruturas internas do pescoço – principalmente nervos e glândula partireoidea – através do aumento visual proporcionado pelas opticas utilizada) e o resultado estético (cirurgia sem cicatriz externa visível no pescoço).

Hoje 25 de maio é considerado o dia mundial da Tireoide, é dia de refletir sobre o tema e a importância desta glândula em nossa vida. Lembre-se, ao desconfiar de qualquer problema na tireoide seja funcional ou morfológico (nódulos), não inicie nenhum tratamento antes de consultar um especialista no assunto, que pode ser o endocrinologista ou cirurgião de cabeça e pescoço. A ingestão de hormônios sem orientação médica é perigosa e pode ter consequências graves, como arritmias cardíacas e até parada cardíaca, principalmente em pessoas com mais de 60 anos. Estes especialistas poderão ser o seu escudo protetor diante de uma enfermidade mais grave na glândula tireóidea.

 

Dr. Francisco Amorim responsável técnico pelo ITL

 

Dr. Francisco Amorim  CRM 14221
Cirurgião de Cabeça e Pescoço
Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço – SBCCP
Diretor Técnico do Instituto da Tireoide & Laringe