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Instituto da Tireoide e Laringe Instituto da Tireoide e Laringe

Laringectomia

Laringectomia é a cirurgia que retira parte ou toda a laringe, onde ficam as pregas vocais. A retirada parcial e a total têm consequências diferentes para a voz, a alimentação e a respiração. Na cirurgia total, a pessoa passa a respirar por uma abertura permanente no pescoço. 1, 2

Quando a laringectomia pode ser indicada?

A cirurgia faz parte das opções de tratamento do câncer de laringe. Pode ser indicada como tratamento inicial ou como cirurgia de resgate, quando o tumor persiste ou retorna após outro tratamento. A extensão da retirada depende da localização do tumor, do quanto ele se espalhou, da função da laringe e dos tratamentos já realizados. 1

Câncer avançado não significa, por si só, que toda a laringe precisa ser retirada. Radioterapia, quimiorradioterapia (quimioterapia junto à radioterapia) e cirurgias que preservam a laringe são alternativas para pacientes selecionados. Tumores muito extensos ou uma laringe que já funciona mal podem favorecer a indicação da cirurgia total. A escolha precisa considerar tanto o controle da doença quanto a função esperada após o tratamento. 3

Fora do tratamento de um tumor, a retirada total também pode ser considerada em situações selecionadas de aspiração crônica grave (entrada de conteúdo nos pulmões), quando a laringe não protege adequadamente a via respiratória. Não é uma indicação geral para qualquer dificuldade de engolir. 4

A página sobre câncer de cabeça e pescoço apresenta o contexto da investigação oncológica.

O que muda entre a cirurgia parcial e a total?

Laringectomia parcial

Retira uma parte da laringe, com intenção de tratar a doença e conservar funções quando isso é possível. A voz pode mudar, e a recuperação da deglutição exige avaliação. Algumas operações precisam de traqueostomia temporária (abertura para respirar pelo pescoço). Preservar tecido não garante que ele funcione como antes. 2, 3

Laringectomia total

Retira toda a laringe, incluindo as pregas vocais. A traqueia fica ligada à pele do pescoço por um estoma (abertura permanente). Boca e nariz deixam de se comunicar com os pulmões: o ar entra e sai somente pelo estoma. A voz produzida pela laringe é perdida, mas existem outras formas de comunicação e de fala. 2, 4

Preservar parte da laringe só faz sentido quando é possível tratar a doença e manter uma função útil. Antes da operação, pergunte o que deve mudar na sua respiração, na alimentação e na comunicação, e como será planejada a reabilitação.

Essa conversa deve começar antes da cirurgia, com avaliação da voz e da deglutição. 3

Como é feito o planejamento?

A investigação reúne exame da laringe, biópsia e exames de imagem para definir a extensão da doença. Também entram na decisão as condições clínicas, a respiração, a alimentação e os objetivos do paciente. 1, 3

A operação pode incluir retirada de linfonodos do pescoço, parte da tireoide ou reconstrução da faringe, conforme os tecidos envolvidos. Essas etapas não são obrigatórias em toda laringectomia. O resultado da análise do material retirado ajuda a definir a necessidade de tratamento complementar. 1, 2

Como a pessoa se comunica após a retirada total?

A reabilitação pode utilizar voz traqueoesofágica, com uma prótese entre a traqueia e o esôfago; eletrolaringe, aparelho que produz som; ou voz esofágica, com ar movimentado no esôfago. A fonoaudiologia participa do aprendizado. A escolha considera a cirurgia realizada, a capacidade de cuidar dos dispositivos, o acompanhamento disponível e as preferências da pessoa. 5, 6

Esses métodos não devolvem a voz anterior. A revisão de van Sluis e colaboradores encontrou limitações na qualidade dos estudos e resultados diferentes conforme a medida de voz usada. Por isso, não cabe prometer um método ou resultado igual para todos. 5

Enquanto a fala é reabilitada, escrita ou aplicativos podem facilitar a comunicação. Próteses de voz precisam de limpeza e verificação de vazamentos, conforme o treinamento recebido. 4, 6

Como ficam a alimentação e a recuperação?

Nos primeiros dias após a cirurgia total, pode ser necessária alimentação por sonda enquanto a área operada cicatriza. A retomada pela boca segue a avaliação da equipe; não há um prazo único para todos. Dificuldade para engolir pode ocorrer mesmo com a via respiratória separada da passagem dos alimentos. 7, 8

Uma revisão sistemática sobre deglutição após laringectomia total encontrou estudos heterogêneos e limitações metodológicas. A recuperação precisa ser acompanhada individualmente. A reconstrução realizada e os tratamentos anteriores também entram nessa avaliação. 7, 8

As mudanças na comunicação e na rotina familiar podem preocupar. Conte à equipe como você está lidando com elas para que a necessidade de apoio também seja avaliada. 7

Quais cuidados e riscos precisam ser conhecidos?

Após a retirada total, o ar deixa de passar pelo nariz, que normalmente o aquece, filtra e umidifica. O cuidado com secreções, a proteção do estoma contra água e o uso de sistemas de troca de calor e umidade devem ser ensinados pela equipe responsável. 6

Sangramento, infecção, abertura da ferida, fístula (vazamento por uma comunicação anormal) e estreitamento do estoma estão entre os riscos da cirurgia total. As consequências e os riscos da operação proposta precisam ser discutidos antes da decisão. O estoma permanente e a perda da voz laríngea são mudanças previstas da retirada total. 4

Falta de ar, obstrução do estoma ou sangramento intenso exigem atendimento de emergência. Informe aos profissionais que houve laringectomia total: oxigênio e ventilação precisam chegar aos pulmões pelo estoma. A boca e o nariz não oferecem essa via. Não aguarde retorno de um canal de agendamento. 7, 9

Febre, aumento de vermelhidão ou inchaço e saída de líquido pela ferida também precisam ser comunicados prontamente à equipe que acompanha a recuperação. 7

Como buscar avaliação no Instituto?

O Instituto da Tireoide e Laringe atende em Goiânia. O Dr. Francisco de Souza Amorim Filho, CRM-GO 14221, é especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, RQE 6935.

Você pode solicitar uma avaliação ou entrar em contato com a equipe. Leve os resultados de biópsia, exames de imagem e informações sobre tratamentos anteriores. Na consulta, pergunte por que essa operação foi indicada, quais alternativas existem e que acompanhamento será necessário depois.

Conheça o Dr. Francisco Amorim e a área de cirurgia da laringe e via aérea.

Perguntas frequentes

Retirar a cânula fecha o estoma depois da laringectomia total?

O estoma permanece mesmo quando a cânula deixa de ser necessária. A necessidade de um dispositivo para manter a abertura estável é avaliada pela equipe; retirar a cânula não restabelece a respiração pela boca ou pelo nariz. 6

A prótese de voz é obrigatória?

A prótese é uma possibilidade, mas nem todas as pessoas são candidatas a ela. Outras formas de fala e comunicação podem ser utilizadas. Pergunte qual opção é viável para você e que cuidados e acompanhamento ela exige. 4, 6

A consulta on-line substitui a avaliação presencial antes da cirurgia?

O Instituto oferece consulta on-line, que pode ajudar na discussão do histórico e dos documentos disponíveis. O exame da laringe e as etapas presenciais necessárias ao planejamento cirúrgico continuam sendo definidos pelo médico.

Referências bibliográficas

  • 1. National Cancer Institute. Laryngeal Cancer Treatment (PDQ®) — Patient Version. Atualizado em 12 fev. 2025. Documento.
  • 2. American Cancer Society. Surgery for Laryngeal and Hypopharyngeal Cancers. Revisado em 28 maio 2026. Documento.
  • 3. Forastiere AA et al. Use of Larynx-Preservation Strategies in the Treatment of Laryngeal Cancer: American Society of Clinical Oncology Clinical Practice Guideline Update. J Clin Oncol. 2018;36(11):1143–1169. DOI: 10.1200/JCO.2017.75.7385. PubMed.
  • 4. Worcestershire Acute Hospitals NHS Trust. Management of patients with a laryngectomy. WAHT-KD-030, versão 2.1; revisão clínica de nov. 2024, ajuste de jul. 2025. Diretriz.
  • 5. van Sluis KE et al. Objective and subjective voice outcomes after total laryngectomy: a systematic review. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2018;275(1):11–26. DOI: 10.1007/s00405-017-4790-6. Resumo e registro institucional.
  • 6. Cambridge University Hospitals NHS Foundation Trust. Caring for a laryngeal stoma and voice prosthesis after a laryngectomy. Orientação ao paciente.
  • 7. Memorial Sloan Kettering Cancer Center. About Your Total Laryngectomy. Atualizado em 31 mar. 2026. Orientação ao paciente.
  • 8. Terlingen LT et al. Diagnosis and treatment of oropharyngeal dysphagia after total laryngectomy with or without pharyngoesophageal reconstruction: Systematic review. Head Neck. 2018;40(12):2733–2748. DOI: 10.1002/hed.25508. PubMed.
  • 9. National Tracheostomy Safety Project. Emergency Care (Adults): Emergency Tracheostomy/Laryngectomy. Orientação de segurança.

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